No momento do arranque da edição 2025/26 da Liga 3, Patrick Morais de Carvalho respondeu a algumas questões de grande actualidade, dando a conhecer que a recepção ao Atlético terá como palco o Estádio Nacional, e deixando igualmente antever ambiciosos projectos em curso tendo em vista a modernização e rentabilização do Estádio do Restelo, não deixando de abordar o acordo com a Hummel, a recuperação do Campo Major Baptista da Silva, a ambição nas modalidades e o início de época do futebol.
“Procuramos parceria forte para modernizarmos o Estádio do Restelo”
A utilização do Estádio do Restelo para a realização de eventos e de espectáculos, nomeadamente musicais obedece a um plano da direção para rentabilizar o Estádio?
A ideia global passa por termos o Estádio do Restelo como palco dos jogos da nossa equipa de futebol mas também como uma fonte de receita complementar; termos um Estádio modernizado que possa ser usado 365 dias por ano e não apenas nos 35/40 dias que é o uso que lhe damos para fazermos os nossos jogos de futebol.
Para isso temos que transformar o estádio num espaço multiusos e multifuncional e estamos ativamente a trabalhar com as maiores empresas do mundo do setor para alavancarmos e acelerarmos o processo de modernização e reabilitação do Estádio do Restelo.
Queremos garantir aos sócios e adeptos do nosso clube uma experiência muito mais agradável quando vêm aos jogos de futebol.
Que o dia de jogo seja aquilo que todos os adeptos merecem e não o que temos atualmente para oferecer que há que dizê-lo sem rodeios é muito pouco.
No fundo algo semelhante ao que estão a fazer os maiores clubes do mundo e esta já a ser replicado em Portugal em alguns clubes e em alguns Estádios.
As receitas geradas pela utilização do Estádio do Restelo são hoje e serão no futuro fundamentais para o clube garantir a sua sustentabilidade, a sua liberdade, a sua autonomia perante terceiros, para garantir a qualidade da nossa equipa de futebol e das nossas equipas das modalidades. Toda e qualquer direção do clube tem que arregaçar as mangas e ter a capacidade de dinamizar o Estádio. Sem estas receitas voltaremos rapidamente a um antigamente pautado por incumprimentos generalizados. E isso ninguém quer.
Quando se fala em investidores para nós a receita é muito clara: vamos ter no Restelo nos próximos anos um novo e reabilitado Estádio, um novo Pavilhão e uma nova Piscina.
Para o Pavilhão e para a Piscina o parceiro/ investidor está encontrado e é a BSL, para o Estádio também vai surgir o parceiro/investidor, não é coisa que se concretize de um dia para o outro mas estamos a dar passos consistentes para que seja uma realidade a curto/ médio prazo.
“Estes espectáculos são balão de ensaio que garantem potencial do Estádio”
Este verão de 2025 garantiu-se uma utilização nunca vista do Estádio do Restelo, como foi conseguida?
Este verão está a servir, se quiserem, de balão de ensaio para os diferentes promotores e as diferentes empresas do sector perceberem, sem margem para dúvidas, o potencial do nosso Estádio mesmo não estando reabilitado.
Insere-se neste plano maior a realização dos três dias de concertos de heavy-metal; o Congresso das Testemunhas de Jeová; e os concertos de julho e de setembro, com o Kendrick Lamar e o Post Malone, respetivamente.
Tratam-se de receitas vitais para podermos olhar para a época de 2025/26 com maior tranquilidade do ponto de vista da situação económico-financeira do clube bem como do ponto de vista da nossa tesouraria.
O futuro passará por termos um renovado Estádio do Restelo, multi funcional, onde será mais fácil garantirmos também uma importante receita ao nível dos chamados naming rights.
Fruto deste trabalho dos últimos meses da direção do clube os salários que deveriam ser pagos em agosto foram pagos no dia 31 de julho a todos os colaboradores e funcionários do clube e da SDUQ. Um feito que muito nos orgulha e que é a primeira vez que acontece no clube provavelmente desde há várias décadas e seguramente, pelo menos, desde o início deste século.
“Agradecemos a Agronomia a forma superior como nos recebeu para uma óptima pré-época”
Esta utilização do Estádio para espectáculos obriga a que a equipa de futebol faça a pré-época fora do Restelo e que não possa também fazer os primeiros jogos na condição de visitado no Restelo, isso prejudica a equipa? Onde vamos jogar?
Fazer a pré época fora do Restelo é positivo desde que se encontre o local certo para tal que foi o que felizmente logramos conseguir.
O Belenenses leva a cabo estas iniciativas no seu Estádio pela necessidade imperiosa que tem de encontrar continuamente fontes de receita extraordinárias.
O clube quer garantir a sua liberdade não gerando dívida de espécie alguma e por isso seguimos nesta luta mas, como se diz na gíria, “isto sai do pêlo dos elementos da direção do clube e dos funcionários e colaboradores”.
Provavelmente ninguém imagina o trabalho tremendo que toda a logística envolvida acarreta para a direção do clube e para os seus elementos mais envolvidos nesta dinâmica.
Temos muitas preocupações em simultâneo e temos que dar resposta a centenas de situações imprevistas. Temos que planear e executar planos que mudam quase diariamente e que têm que ser constantemente alterados e ajustados e neste particular os meus colegas de direção têm sido inexcedíveis na sua dedicação e na qualidade do trabalho efetuado. Não têm havido sábados, nem domingos, tem se trabalhado de dia e de noite. Tiro o chapéu àqueles que têm sido mais ativos neste processo.
Foi preciso encontrar uma base para a equipa, agradecemos muito a disponibilidade de Agronomia e do seu Presidente Leonardo Falcão Trigoso onde encontramos condições óptimas para os nossos trabalhos de pré-época e onde disponibilizamos também todo o nosso staff para garantirmos o processo.
Foi preciso programar toda uma pré-época do ponto de vista logístico muitíssimo exigente.
Sinalizo como fantástico e agradeço muito o excelente trabalho do nosso pequeno staff da equipa de futebol superiormente liderado pelo José Taira. Fizeram um trabalho invisível inacreditável garantindo que nada faltava diariamente a jogadores e equipa técnica. Agradeço também a coordenação aos meus colegas de direção Paulo Amaral e Pedro Lourenço, bem como aos restantes que colaboraram noutros aspetos do processo.
Sobre a questão dos jogos no Restelo o plano, que teve também ele que ir sendo ajustado, era o seguinte: O Belenenses escolheu a bola 3 do sorteio da Liga 3 para podermos condicionar o sorteio de acordo com os nossos interesses.
Assim, após o espectáculo do Lamar ficamos com 21 dias para recuperar o relvado até ao jogo com o Atlético da 2a jornada.
Aplicamos um plano rigoroso de recuperação do relvado que passou por várias fases. Precisávamos que tudo corresse na perfeição, incluindo a colaboração da natureza, para recuperarmos o relvado nesse espaço de tempo.
Caso não fosse possível, como não foi, a nossa primeira alternativa para jogar sempre foi o Estádio Nacional. Acontece que uma equipa da Liga 1 tinha o espaço reservado e tinha preferência sobre nós por ter essa condição de ser equipa da Liga 1. Só na passada sexta-feira foi possível termos a certeza de que seremos nós a jogar nesse local.
Tínhamos mais dois locais em prevenção e agradecemos muito a esses clubes da Liga 1 a disponibilidade que mostraram para nos receberem em caso de necessidade.
Jogaremos, portanto, com o Atlético, no Estádio Nacional.
“Teremos mais um jogo da Liga 3 em que jogaremos fora do Restelo”
E os jogos seguintes?
O que podemos dizer, nesta altura, é que em princípio conseguiremos jogar com o Lusitano de Évora (3ª jornada) e com o Amora (Taça de Portugal) no Estádio do Restelo.
Depois caso se vença o Amora, teremos que arranjar alternativa para receber o Marítimo noutro local e talvez haja a necessidade de voltarmos ao Estádio Nacional para o jogo com o Caldas da 7ª Jornada. Entretanto, os jogos da jornada 5, que seriam disputados a meio da semana vão ser todos adiados para o fim-de-semana das eleições autárquicas. Todos os restantes jogos da Liga 3 e da Taça de Portugal, se os houver, serão jogados no Estádio do Restelo.
“Estamos mentalmente preparados para todos os cenários”
Considera que esta situação, de fazer dois ou três jogos na condição de visitado fora do Restelo pode prejudicar a equipa?
É evidente que a situação não é a ideal no entanto o campeonato é muito longo e estamos a falar, em princípio, de apenas dois jogos do campeonato.
E fazer esses dois jogos fora do Restelo não será desculpa para algum insucesso da equipa na medida em que toda a estrutura do futebol tinha perfeito conhecimento deste planeamento e trabalhou largos meses em cima deste cenário.
Para que fique claro a situação não será aproveitada para desculpar qualquer eventual resultado menos favorável. Estamos mentalmente mais do que preparados para lidar com esta situação. Nada falta à equipa.
O maior transtorno acaba por ser para os nossos sócios e adeptos a quem pedimos a maior compreensão para este contratempo. Pedimos também desculpas e vamos querer muito compensa-los com boas exibições e bons resultados.
A sua presença esmagadora em Mafra mostra que nunca nos deixam caminhar sós. Só temos que lhes estar gratos e retribuir.
“Temos equipa com identidade muito própria que vai dar alegrias”
Como analisa a pré-época, o mercado, os jogos de preparação e o comportamento da equipa em geral?
Acompanhei toda a pré-época numa base permanente e diária e posso dizer que fiquei com sensações muito positivas sobre o trabalho realizado. Os indicadores foram todos eles muito positivos.
Sobre o plantel mantivemos a equipa técnica e 9 jogadores da época anterior, subimos 5 elementos da equipa B e dos sub 19 e chegaram 12 jogadores novos. Este ano, ao contrário de anos anteriores, conseguimos trazer praticamente todos os jogadores que queríamos o que é positivo. O mercado trouxe-nos as dificuldades habituais mas soubemos ser pacientes e levar a água ao nosso moinho. Foi desgastante, mas gratificante.
Os jogos de preparação efetuados contra equipas de Liga 1 e Liga 2 deram-nos uma ideia clara de que estamos a construir uma grande equipa, com personalidade, com uma matriz de jogo positiva e boas dinâmicas. Mérito do treinador e da equipa técnica que estão a construir um grande grupo e uma grande equipa, com uma identidade muito própria.
“Clubes sem Estádio próprio não deviam ser licenciados”
Chegamos ao primeiro jogo da época em Mafra. Que se passou com os bilhetes para o jogo? Muitíssimo poucos bilhetes disponibilizamos para os adeptos do Belenenses, isso é aceitável?
O Regulamento da Competição da Liga 3 da FPF estipula que as equipas visitadas estão obrigadas a garantir 10% da lotação do respetivo estádio ao visitante.
No caso do Mafra o recinto tem 1200 lugares. Assim só estão obrigados a ceder às outras equipas 120 lugares.
No nosso caso foram disponibilizados um número até acima do que o Mafra estava legalmente obrigado.
O que acabou por acontecer foi que os sócios e adeptos do Belenenses compraram bilhete para o lado do Mafra e depois a polícia no local quando percebeu isso encaminhou os nossos adeptos para o lado da nossa bancada.
O importante nesse assunto não é se os adversários nos cedem mais 50 ou menos 50, são os estádios com lotação para 1000 pessoas em que nos cedem o número legal (ou acima disso) que os regulamentos referem e que esses regulamentos obrigam a que esse(s) sector(es) estejam totalmente separados dos restantes por causa dos regulamentos de segurança.
Ora isto, do meu ponto de vista, devia merecer correção pois trata-se de adeptos que confraternizam antes e depois do jogo, o futebol é uma festa e este tipo de regulamentos de segurança que obrigam a separação total de setores e de adeptos muitas vezes provocam mais problemas na organização de jogo do que os problemas reais existentes.
Para se ir mais fundo nesta questão deve caminhar-se para a proibição de competir para quem não tem estádio próprio ou o mesmo não tem condições mínimas de lotação.
Sobre os bilhetes enviados ao Belenenses optamos por dar preferência àqueles sócios indefectíveis que para além de terem quotas em dia já compraram também o passe 1919 que é uma receita muito importante para o clube.
À data de sexta-feira tínhamos já cerca de 300 passes 1919 vendidos e achamos por bem adoptar o critério de premiar estes sócios que mesmo em período de férias já tinham feito esse esforço de aquisição.
Podíamos ter adoptado outro critério mas a verdade é que fosse qual fosse o critério por certo nunca agradaria a toda a gente.
Da nossa parte, lamentamos muito saber que houve muitos adeptos nossos que queriam ir ao jogo e não foram perante a incerteza de terem ou não bilhete.
“Deixamos dois pontos em Mafra por culpa própria”
E sobre o jogo ficou contente com a equipa, com o trabalho da equipa de arbitragem e com o resultado?
Em primeiro lugar destaco o apoio incrível dos nossos adeptos que estiveram em grande número e cujo apoio se fez sentir e muito.
Sobre arbitragem, por regra, não falo na praça pública.
Sobre o jogo mostramos boas ideias, boas dinâmicas e uma boa capacidade física. No entanto, não fiquei satisfeito com o resultado pois, apesar de estarmos a jogar em casa de um dos grandes candidatos à subida de divisão, tendo em conta o que se passou perdemos dois pontos.
Não saímos de Mafra com os três pontos por culpa própria, pois apesar de termos tido o domínio do jogo e de termos tido as melhores oportunidades, não mantivemos o estado de alerta necessário para garantirmos a vitória que era o resultado que mais se ajustava ao desenrolar da partida. Fica o alerta para jogos futuros.
“Temos que ter a capacidade de resposta positivamente à saudável exigência dos sócios”
Qual a sua expectativa para a época 25/26 no futebol sénior?
A expectativa é elevada.
Compreendo a cobrança dos sócios e temos que ser capazes de responder com resultados que vão de encontro aos desejos e à cobrança da massa associativa.
Não esquecer que em 2018/19 estávamos na última divisão distrital mas para nós é evidente que 2025/26 tem que ser o nosso ano.
Garanto que vamos ter uma boa equipa, de que os sócios se vão orgulhar, que vai deixar sempre tudo em campo, a jogar com qualidade e com garra e atitude. Com todos juntos, a remar para o mesmo lado, no final da época estaremos todos a festejar a tão desejada subida de divisão.
“Vai avançar obra do novo Campo 2”
Fala-se na substituição do relvado sintético do Campo 2 do Restelo como uma obrigatoriedade mas a verdade é que a época está à porta e ainda não se iniciou qualquer obra. Como estão as coisas?
A substituição do relvado sintético do Campo 2 é um imperativo ditado pela FPF e pela nossa consciência.
Trata-se de um esforço financeiro muito significativo por parte do clube e a obra ainda não arrancou justamente porque são precisas várias centenas de milhares de euros para que tal aconteça e porque estivemos a fechar os apoios necessários para a obra ser uma realidade. Posso adiantar que a obra já foi adjudicada e começará muito em breve.
Aproveito para dar os parabéns ao nosso Departamento de Futebol de Formação, agora liderado pelo novo Diretor Diniz Sousa e sob a tutela do meu colega de direção Paulo Amaral, por todo o excelente trabalho que fizeram este defeso, no recrutamento e nas revogações e pelo arranque vitorioso, este fim de semana, dos nossos Sub 19 em casa do Alverca.
Registar também que, como se sabe, os nossos ainda juniores Bruno Dias e Diogo Varela assinaram connosco o seu primeiro contrato de trabalho desportivo o que reforça a nossa aposta na formação.
“Hummel patrocinador oficial do Belenenses para as próximas quatro temporadas será êxito”
Este ano o clube muda de equipamentos passando a usar Hummel como está a decorrer o início da parceria?
Desde que sou presidente tivemos 5 anos a Adidas, outros 5 a Joma e no último ano tivemos a New Balance que não foi de encontro às necessidades do clube. Não correu bem.
A verdade é que até agora tivemos parcerias em que o parceiro era um mero fornecedor de equipamentos. Há muito procurávamos uma marca que se constitui se como um verdadeiro parceiro e patrocinador oficial do clube.
Pensamos ter encontrado agora na Hummel esse parceiro/patrocinador e por isso rubricamos um contrato para quatro temporadas até 2028/29.
A mudança implica uma logística enorme na medida em que estamos a falar de milhares de atletas, de todas as modalidades e todos os escalões e não apenas da equipa de futebol sénior.
Apenas em junho foi possível ser assinado o contrato, que é um magnífico contrato para o Belenenses, mas que demorou a ser fechado. Este ano zero naturalmente está a ser muito desafiante quer para nós como para a Hummel para se conseguir dar resposta em tempo útil a todas as solicitações.
Demos agora este pontapé de saída, num prólogo com causa a favor dos Bombeiros de Portugal, e o Belenenses dará a conhecer os equipamentos oficiais da temporada 2025/26 para o futebol, antes da 3ª jornada.
Acreditamos que vai valer a pena esta pequena espera pois esta parceria para quatro anos a todos irá orgulhar.
“Vamos continuar a apostar no ecletismo em todas as suas modalidades”
Sobre as modalidade que estão a voltar também para o início da época de 2025/26, qual o ponto da situação? Quais as expectativas
Partimos com muita ilusão para esta nova época na tentativa clara de fazermos esta época o que não se conseguiu na época passada.
Queremos subir de divisão no voleibol, no futsal e no basquetebol. Queremos fazer uma época no andebol ao nível dos altos pergaminhos do clube na modalidade e queremos atacar o tri-campeonato no rugby. No atletismo, triatlo e natação queremos continuar na senda dos resultados e conquistas dos anos anteriores. Vai ser um ano bom para todos os Belenenses.





