Caros Belenenses,
Amigos e Amigas de Coração Azul de Belém,
Dirijo-me a todos com a tradicional mensagem de Ano Novo começando por vos falar sobre o ano de 2023 e apontando depois aos grandes desafios que temos pela frente em 2024 e aos objetivos que queremos e vamos cumprir no novo ano.
2023 ficou marcado pelo regresso do nosso querido clube aos campeonatos profissionais de futebol. Foi um ano fantástico para a família azul.
Em Janeiro de 2023, numa longa entrevista que concedi ao Record o título era “lutaremos até ao fim pela subida de divisão”. Nesta entrevista eu dizia que “acima de tudo, mas mesmo acima de tudo, em 2023 acima de tudo queremos recolocar o Belenenses nos campeonatos profissionais”.
Nessa altura, no dia 28 de janeiro, à passagem da 16ª jornada, da 1ª fase da Liga 3 que contemplava 22 jornadas e apurava 4 equipas para a fase decisiva da subida de divisão, seguíamos em 6º lugar a 10 pontos do primeiro e atrás de Amora, União de Leiria, Caldas, Sporting B e Alverca.
Ninguém acreditava em nós. As críticas e os comentários eram naturalmente demolidores, toda a gente exigia a cabeça do treinador Bruno Dias numa bandeja, de preferência acompanhada pela de vários jogadores que, rezavam as crónicas, eram jogadores de Distrital a jogar Liga 3.
Em 6 de fevereiro, em entrevista que concedi ao jornal A Bola, contra a corrente – quase sempre contra a corrente – fazia título a seguinte frase: “Há muita gente empenhada em fazer-nos o enterro, mas podem esquecer isso” e falava da arbitragem e pedia VAR na fase de subida da Liga 3 onde esperava que o Belenenses viesse a marcar presença. Tal acabou por ser uma realidade, a presença do Belenenses e dessa tecnologia nos jogos decisivos, com as consequências benéficas que ficaram evidenciadas em dois jogos decisivos dessa fase do campeonato.
A verdade é que o nosso grupo de trabalho teve muito mérito.
Quando teria sido fácil atirarmos a toalha ao chão fizemos justamente o contrário. Fomos Belenenses, cerrámos os dentes, unimos ainda mais o balneário, saíram alguns jogadores, trouxemos outros para nos ajudarem a crescer, arrumámos a casa e depois foi o que se viu: vitórias fantásticas, entre outras, frente ao Sporting B e nas Caldas as quais conduziram ao apuramento; e depois uma entrada entusiasmante e competente na fase final de subida de divisão com três fantásticas vitórias seguidas, duas em casa contra o Lank Vilaverdense e o Amora e outra em São João da Madeira que praticamente carimbaram a subida de divisão direta que veio a consumar-se no jogo do Restelo, contra a Sanjoanense, em 6 de maio, num dia fantástico e inesquecível para toda a família azul.
Mas se esse dia foi fantástico que dizer das sensações incríveis que todos vivemos no dia 20 de maio, no Estádio Nacional do Jamor, com 15 mil almas azuis nas bancadas a proporcionarem uma festa e um colorido que para sempre fica marcado na nossa memória coletiva?
Esse dia foi o culminar de uma história escrita por nós, uma história que correu mundo, que foi notícia em todas as línguas e em todas as latitudes, mérito de muitos, acima de todos mérito dos sócios e adeptos do clube.
Mas muito mérito também dos jogadores, do treinador Bruno Dias e da sua equipa técnica que nos conduziram ao longo da época, com muita competência, muitas vezes contra ventos e marés, contra tudo e contra todos; do José Taira e do seu pequeno staff de apoio, sempre na sombra, sempre atento e competente, muitas vezes injustiçado, mas alguém a quem todos muito devemos no somatória desta épica caminhada; do João Raimundo e da sua equipa de trabalho, que com o seu meritório trabalho na formação nos ajudou a termos sempre, ao longo destas épocas, muitos jovens aptos da nossa formação a contribuírem na caminhada; e também, modéstia à parte, das minhas direções e dos companheiros que me acompanharam nesta odisseia, dos que foram entrando e foram saindo, dos que se mantêm e dos que chegaram agora em junho de 2023.
Para a história fica a recordação do excecional ato de coragem da minha direção de 2018, à primeira vista de muito improvável sucesso judicial e desportivo, mas sempre muito apoiado por sócios e adeptos que nunca deixaram de nos carregar às costas e de acreditar em nós.
Nos últimos anos provamos que o futebol está muito longe de ser apenas um negócio e quem tiver dúvidas é só pôr os olhos no Belenenses.
O ano de 2023 foi também um ano que ficou marcado por mais um conjunto de acontecimentos com simbolismo no nosso clube, e que gostava de deixar aqui expressos para memória futura, a saber:
– as eleições no clube no mês de junho, umas eleições de lista única, tranquilas, onde foi possível passar o projeto e as ideias da nova direção e onde cerca de 86% dos sócios que exerceram o direito de voto reforçaram a sua confiança nos novos órgãos sociais do clube. Sigo com muito orgulho e muita honra, após 4 eleições, a agradecer sempre a excecional oportunidade que os sócios me deram de liderar os destinos do nosso clube e de me continuarem a brindar passados praticamente 10 anos com a sua confiança. Não me posso queixar e jamais me queixarei da falta de apoio.
– a revisão da Lei das Sociedades Desportivas, um tema muito caro ao Belenenses e no qual acabámos por dar vários contributos. Uma lei que vai agora no sentido, errado, de amarrar perpetuamente os clubes fundadores às suas sociedades desportivas, proibindo a venda das suas participações sociais. O que na prática quer dizer que o caminho que o Belenenses fez de 2018 até hoje não mais poderá ser repetido por mais nenhum clube português.
A nós chamaram-nos malucos em 2018. Fizemos a caminhada das pedras: louca, apaixonada e cheia de sucessos judiciais e desportivos. “Malucos” como nós, com a nova lei, não poderá haver mais. Somos assim, com muita honra, os primeiros e os únicos “malucos” do futebol português. Também nesta matéria o Belenenses foi único e pioneiro como tantas vezes o foi ao longo dos seus mais de 100 anos de história.
– as conquistas nacionais, como a subida do nosso Futsal à 1ª Liga, mas também as internacionais, merecendo grande destaque a conquista da Taça Ibérica do nosso Rugby, em 26 de março, que acabou em receção no salão nobre da CML e condecoração atribuída pelo Presidente da autarquia.
– o desaparecimento de várias figuras do Universo Belenenses que conheci e que me habituei a respeitar e das quais destaco o Presidente Sequeira Nunes, o Coronel Florentino Antunes, o artilheiro Djão, o saudoso Vítor Godinho, o nosso Marinho Peres, o Reggie Moore uma das principais referências do nosso basquetebol, os sócios e muito amigos Firmino Xavier e Álvaro Costa Santos e o sócio, profundo conhecedor da história do clube, cujo posicionamento ideológico durante o “caminho das pedras” mais me intrigou, o José Manuel Anacleto. Paz à alma de todos eles.
Olhemos agora em frente para o ano de 2024 que vai ser um ano decisivo para o Belenenses e para o futebol português sendo fácil perceber-se porquê.
Todos queremos, comigo à cabeça, ver o Belenenses na 1ª Liga o mais cedo possível. Mas não a qualquer preço. Queremos lá chegar senhores do nosso Belenenses e da nossa equipa, sem dívidas, sem hipotecar o futuro, sem voltar a colocar a nossa sociedade desportiva – a SDUQ /SAD – numa posição de cócoras, de estado de necessidade, a ter que se vender. Não cairemos, de novo, nesse erro.
O Belenenses poderá ter parceiros, com certeza que existem parceiros respeitáveis, que nos possam aportar valências complementares às do clube, parceiros que preencham os verticais de certas áreas de atividade da sociedade desportiva que temos identificadas, de preferência nacionais, que possam até aportar capital se for caso disso. Respeitando sempre a condição essencial e inegociável de que o Clube de Futebol “Os Belenenses” continuará sempre a deter a maioria e o controlo do seu futebol.
Eleitos democraticamente temos de agir na senda do interesse geral mas de acordo com as nossas ideias e os nossos princípios.
Assim haja paciência, resiliência e capacidade dos Belenenses.
Em 2023/24 a meta para o nosso futebol é a que todos sabem: estabilizar a nossa equipa na 2ª Liga. Foi isso que foi dito claramente nas últimas eleições de junho de 2023 já depois dos sócios terem aprovado a constituição da nossa SDUQ na AG de 19 de maio.
É verdade que todos queríamos estar a viver um campeonato um pouco mais tranquilo do que aquilo que estamos a experienciar, mas as coisas são o que como são e estamos cá para alterar o rumo dos acontecimentos.
Vamos lutar, alterar o que houver para alterar em termos de plantel e no próximo mês de maio estaremos a cumprir mais um objetivo com o apoio da nossa massa associativa.
É por isso que hoje peço a todos os sócios: apoio incondicional à equipa que vai deixar tudo em campo para fazer uma ótima 2ª volta do campeonato.
Mas ao mesmo tempo que nos solidificamos de novo nos campeonatos profissionais e mantemos um passivo zero na SDUQ temos de trabalhar arduamente naqueles que são os grandes temas do futebol nacional e onde o Belenenses necessariamente tem e terá uma palavra a dizer.
Neste aspeto, não desvalorizando temas tão importantes como a gestão da marca, a publicidade, os patrocínios e outros direitos, a política de bilhética, as verbas provenientes da centralização das apostas desportiva e a interação com os sócios e adeptos, temos que ter claro que a Centralização dos Direitos Audiovisuais é o tema central e decisivo do futebol português que se vai debater e decidir nos próximos tempos. Centralização que caso não aconteça antes será uma realidade obrigatória em 2027/28.
Trata-se de matéria muito complexa e sensível, mas que terá de ser tratada com eficiência máxima.
O decreto-lei, de março de 2021, determina a titularidade dos direitos de transmissão televisiva e multimédia, e demais conteúdos audiovisuais, relativos aos campeonatos masculinos de futebol das Ligas 1 e 2 e estabelece regras relativas à sua comercialização.
Os direitos de transmissão referentes às épocas desportivas subsequentes à época desportiva de 2027/28 são objeto de comercialização centralizada em termos a definir mediante proposta da FPF e da Liga Portugal sujeita a aprovação da Autoridade da Concorrência até ao final da época desportiva de 2025/26.
Acontece, porém, que os organizadores da competição e as sociedades desportivas podem determinar antecipar a implementação da Centralização, para 2024/25 ou 2025/26, o que traz o assunto para a ordem do dia.
De resto, concorrem vários fatores para que a antecipação tenha de ser seriamente encarada pelas sociedades desportivas das duas ligas profissionais. Desde logo por termos em mãos um ativo apetecível nos mercados e por haver uma incerteza na evolução dos valores dos direitos até 2027/28, mas talvez ainda mais importante o facto de haver abertura, ao dia de hoje, dos atuais detentores dos direitos para antecipar o final dos contratos existentes.
Neste dossier será necessário aumentar o valor dos direitos, garantir que nenhum clube/sociedade desportiva reduza as receitas dos atuais contratos em vigor e acordar num modelo de repartição de receitas que equilibre e case variáveis equitativas com outras relacionadas com o desempenho desportivo.
A ideia é que se possa verificar uma distribuição mais equitativa e que premeie o desempenho desportivo visando uma maior competitividade interna; que os clubes possam ter maior capacidade para investir em talento desportivo e melhores infraestruturas e assim aumentar a competitividade e a qualidade do seu futebol.
Acredito num modelo de Centralização que traga um valor global das receitas muito maior do que os atuais 180 milhões de euros, um modelo que articule esse aumento com a criação de tetos salariais e com os passivos das sociedades desportivas.
Só assim podemos ter um modelo que caminhe no sentido de garantir um maior equilíbrio competitivo que garanta mais patrocinadores, mais receitas, melhores espetáculos e maior imprevisibilidade nos resultados, com sociedades desportivas mais equilibradas nos seus balanços e capazes de posicionar o futebol português no pelotão da frente do futebol europeu e mundial.
Também por isto 2024 será um ano decisivo e que ficará marcado pelas eleições na FPF e na AFL.
Eleições para as quais o Belenenses naturalmente terá, a seu tempo, o posicionamento que entender mais adequado para a defesa e engrandecimento do futebol português.
O ano de 2024 será também um ano fértil em inaugurações no nosso clube. Esperamos inaugurar o novo supermercado da Lidl e o novo posto de combustível da Repsol. Teremos uma nova loja azul, uma escadaria nova no topo sul que será a nova porta de entrada no Complexo e um novo jardim no topo sul que será um miradouro excecional da zona ocidental da cidade de Lisboa.
Mas neste capítulo não vamos ficar por aqui. Teremos uma nova avenida envolvendo a zona sul do nosso Estádio, uma nova rotunda e novos balneários no Mini Estádio Vicente Lucas onde contamos também instalar e inaugurar um novo relvado sintético.
Contamos também instalar e inaugurar um novo relvado sintéticos no Campo 3 e avançar com as obras do Colégio BSL na chamada zona das Piscinas.
Em 2024 concluiremos ainda a expansão da UPAC da cobertura do Estádio, em parceria com a Greenvolt, uma 2ª fase do projeto que nos permitirá sermos o primeiro clube em Portugal totalmente independente da rede elétrica nacional, consumindo a totalidade da nossa energia com origem em energias renováveis. Um rótulo fabuloso que certamente teremos muito orgulho em ostentar e que nos garantirá um posicionamento único no desporto português.
Mudando a agulha quero acabar dizendo que também em 2024 estamos a trabalhar para alcançar um feito único na história do nosso futebol de formação: pela primeira vez na história colocarmos, na mesma época, Iniciados, Juvenis e Juniores nas respetivas fases finais de apuramento de campeão;
que o Belenenses seguirá com o seu ecletismo, a ser o mais competitivo possível nas várias modalidades, com a certeza de que podemos não ter muita capacidade financeira, mas temos alma e coração que é aquilo que o dinheiro não compra.
Alma e coração que também não vai faltar à nossa equipa de futebol que, de mão dada com os sócios e adeptos, com os jogadores, com o mister Vasco Faísca e a sua equipa técnica vai cumprir o plano de estabilizar o Belenenses na Liga 2 onde voltaremos a competir em 2024/25.
Quero, por fim, dirigir-me
aos nossos dirigentes e seccionistas das várias modalidades pelo seu trabalho incansável, invisível e sem glória em prol do clube e da respetiva modalidade, cada um deles um elemento central da nossa identidade única e elemento indispensável para a defesa da nossa mística azul,
aos nossos funcionários administrativos e da manutenção também o meu reconhecimento e agradecimento por serem quase sempre os primeiros defensores da nossa instituição,
aos sócios e adeptos, os verdadeiros portadores do espírito dos Rapazes da Praia,
aos meus queridos companheiros dos Órgãos Sociais, que se têm constituído como o último reduto do Belenenses,
aos nossos main sponsors/patrocinadores, European Recycling Platform, Novo Verde “Recicle”, Hospital da Luz, Repsol, Greenvolt, Energia Unida, Kuboo, Remax Yes, Águas da Caramulo, AIFE, BIQ, Izidoro, Auditiv, Joma e aos nossos sponsors, Greenlab, Matateu Petisqueira, Lyca Mobile, Parmalat, Joaquim Chaves Saúde e Mitsubishi Motors,
e ao nosso símbolo maior Vicente Lucas,
A todos vós e às vossas famílias e amigos desejo um excelente ano de 2024, cheio de saúde, justiça, paz e prosperidade que traga aquilo que mais ambicionam a nível pessoal, profissional e desportivo.
Vemo-nos já no próximo dia 6 de Janeiro, às 15h30, na Academia do Seixal, na visita ao Benfica B em mais uma jornada da 2ª Liga.
Com uma saudação amiga e azul,
Patrick Morais de Carvalho





