MODALIDADES

Recentemente, a União de Leiria anunciou a sua entrada nos esports, através de uma parceria com uma equipa já existente e criando mesmo um espaço de gaming na sua fanzone. A aposta nesta modalidade, que já esteve ativa no Belenenses durante um curto período, não poderia ser uma forma de atração e fidelização de jovens adeptos?
Com efeito, já tivemos essa secção de eSports em funcionamento durante algum tempo que estava aliás muitíssimo bem organizada mas que depois foi perdendo o fulgor inicial. Mas reconhecemos que o gaming pode ter importância na captação de novos públicos, especialmente os mais novos. Ao mesmo tempo temos vindo a procurar dinamizar a nossa FanZone, ainda agora, no jogo da Taça de Portugal, proporcionámos uma presença e convívio com alguns dos atletas que conquistaram a Taça de Portugal em 1989, e porventura essa componente de eSports é algo que pode ter aí algum cabimento e que podemos avaliar. Ao mesmo tempo, recordo que a Direcção está sempre disponível para estudar propostas que os associados lhe façam chegar, a todos agradecendo esse labor, avançando depois com os projetos que se mostrarem estruturados e financeiramente sustentáveis.

O que aconteceu com o treinador de futsal Pedro Henriques para deixar as funções tão cedo na época?
Julgo que o treinador teve ocasião de explicar nas suas redes sociais. Quando foi convidado para treinar o Belenenses trabalhava noutra entidade, acreditou que seria possível acumular as duas funções e desenvolver o seu trabalho no Belenenses. Cumprida a pré-época e com o início da competição oficial considerou não conseguir acumular as duas funções com a disponibilidade que gostaria de ter e acordámos a sua saída. Agradeço a sua presença e o seu contributo enquanto aqui esteve pois deu o seu melhor e desejo felicidades para o seu futuro. Aproveito ainda para dar as boas-vindas e desejar as maiores felicidades ao seu substituto, Tiago Guelho, num regresso à sua casa nestes últimos anos.

Quais são os objectivos deste ano para as várias modalidades?
Os objetivos estão bem assentes, temos uma nova liderança nessa área dentro do Clube com o meu colega de direção Gonçalo Cid Peixeiro, e partem naturalmente do contexto específico de cada modalidade e competição.
No andebol temos tido um desempenho muito positivos nos últimos cinco ou seis anos, sempre nos lugares cimeiros, com duas participações nas competições europeias e acreditamos que este ano iremos novamente lugar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa. A competição alterou esta época, na época passada era uma competição com 14 equipas com uma única fase e ficámos em sexto lugar. Este ano a competição tem apenas 12 equipas, terá duas fases, na segunda fase serão criados três grupos de quatro equipas (do 1º ao 4º lugar; do 5º ao 8º lugar; e do 9º ao 12º lugar) e julgo que fazemos parte de um grupo de três ou quatro equipas que vão lutar pelos lugares abaixo dos três candidatos ao título e portanto uma delas será premiada com a presença no grupo de cima e as restantes irão disputar o grupo intermédio nessa segunda fase.
No futsal o objetivo é claramente consolidarmos a nossa presença na divisão principal da modalidade, com uma realidade bem diferente do que foram as últimas duas épocas, mas mantivemos o grupo de trabalho e estamos confiantes que vamos ser competitivos e conseguir lutar por esse objetivo.
No voleibol vamos estar na luta pela subida de divisão. Até agora contamos por vitórias os jogos realizados. Temos um grupo mais completo e com mais profundidade, temos a convicção que vamos conseguir nesta primeira fase o apuramento para a fase de subida de divisão e nessa altura estaremos na luta. Seremos competitivos, vamos vencer muitos jogos e na fase de decisão queremos estar presentes e lutar até ao último jogo.
No basquetebol depois da descida ao terceiro escalão na época passada estamos a desenvolver um projeto novo, com muita juventude, qualidade e vontade de conquistarem o seu espaço na modalidade, suportado pelo trabalho na formação e com a forte ambição de regressar o mais rápido possível ao segundo escalão da modalidade para retomarmos o nosso caminho.
Na natação, pretendemos continuar com um projeto sustentado com as nossas duas equipas femininas e masculinas a competir na I divisão nacional, equipas que recordo herdámos em 2014 na III divisão nacional. Vamos tendo atletas internacionais e paralímpicos o que para nós e para a marca Belenenses se traduz num grande valor imaterial.
No Rugby, espera-se que com a recente performance dos Lobos a modalidade cresça muito ao nível da base de praticantes o que trará uma nova realidade à modalidade e pode trazer mais clubes à competição. Teremos que estar atentos para sabermos dar resposta aos novos desafios que esta nova realidade forçosamente irá trazer. Confiámos na secção e nas pessoas que dirigem a XV para darmos essas respostas. Tentaremos manter a nossa veia de campeões durante esta e as próximas temporadas.
No atletismo, temos uma grande prática, principalmente ao nível dos masters que são recorrentemente campeões e que elevam bem alto o nome do nosso clube, é uma secção muito bem liderada e estruturada, que muito nos orgulha.
No triatlo, temos uma escola e o grande objetivo passa por aumentarmos o número de praticantes tendo para o efeito sido realizados com frequência open days para captação de jovens atletas.

Do ponto de vista financeiro, qual o peso das modalidades? São compatíveis como caminho que o Belenenses está a fazer?
Não altero o que sempre tenho dito sobre esta matéria, o Belenenses é e sempre foi um Clube eclético, com muita paixão pelas modalidades, e neste passado recente em que não tivemos o controlo da nossa equipa sénior de futebol foi evidente que as modalidades assumiram um papel vital na vida associativa do Clube e na sua sobrevivência garantindo uma forte ligação dos sócios ao Clube.
Não se pode falar em peso para o Clube sem referir tudo o que de positivo nos trazem, nomeadamente cerca de uma dezena de modalidades, mais de meia centena de equipas nos mais variados escalões etários e mais de um milhar de atletas federados distribuídos por diversas estruturas compostas por sócios e adeptos do Belenenses que se dedicam de corpo e alma várias horas por dia, sete dias por semana, doze meses por ano a essas modalidades, fazendo todo o tipo de trabalho.
Naturalmente que existe quem defenda uma maior aposta financeira nas mesmas e quem defenda uma redução substancial desse investimento, existem também muitos sócios que nos escrevem a dizer para fechar as modalidades e apostar tudo na equipa de futebol.
Acredito que a palavra-chave será o equilíbrio orçamental das mesmas e do Clube, sabendo claramente qual o principal objetivo desportivo e financeiro do Clube nos próximos anos que passa por colocar a nossa equipa de futebol de novo na I Liga.
Também sabemos que a maioria das equipas com quem competimos semanalmente nas diferentes modalidades são Clubes de uma só modalidade, que alocam nessa única modalidade todos os recursos humanos e recursos financeiros existentes e isso provoca-nos dificuldades acrescidas.
Temos, no entanto, de ter a noção que das cerca de dez modalidades que o Clube tem, apenas duas têm um peso efetivo no orçamento do Clube, nomeadamente o andebol e o futsal. As restantes têm, infelizmente, um apoio financeiro direto muito reduzido por parte do Clube e traduz-se sobretudo pela cedência de instalações com os custos inerentes a isso. No futuro temos que apontar no sentido de que todas as modalidades terão que caminhar no sentido da autossuficiência no sentido de serem cada vez mais capazes de gerar as receitas necessárias para desenvolverem as suas atividades e serem competitivas.


ÍNDICE

1. Futebol, Equipa B, Liga Revelação, centro de estágio, centralização dos direitos televisivos, estrutura da SDUQ e relação SDUQ/Clube
2. Futebol de Formação (Sub-15 a Sub-19), Futebol Infantil (até Sub-14) e relvados sintéticos do Restelo
3. Organização de jogos, Passe 1919, política de bilheteira, marketing e sócios
4. Modalidades
5. Requalificação do Complexo do Restelo, Instalações e Alugueres
6. Marketing / Comunicação
7. Fúria Azul, Grupo da Grade, nova legislação e a posição do Clube
8. Outras temáticas

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